A pureza dos meus tempos de menino
Quarta, 24.03.2010, 01:29am (GMT-3)
De uns tempos para cá venho falando muito em nostalgia e de algum modo relembro a fase em que falei nesta Coluna deste tema. Por mais de 5 meses a Síntese só trazia as Saudades que eu e meus leitores sentíamos de algo que o progresso ou a correria da vida nos roubou. Quero recordar hoje e fazer a exemplo do que aconteceu no passado, uma volta às minhas lembranças. Quando criança, morávamos na Rua 4 da Vila Cândida no Lar Paraná e naquele terreno que hoje está a rodoviária era uma imensa plantação de soja ou trigo (conforme o tempo de plantio). A “roça” separava o Lar Paraná do centro e os moradores chegavam até a cidade por um caminho em meio à lavoura. O trânsito de pedestres e ciclistas em horário de pico era grande, pela razão que por ali a distância era encurtada em quase 50%. Durante a minha infância passei por aquele caminho umas quatro vezes por dia, para ir a escola/voltar e também quando saía para vender alguma coisa com meu trabalho ambulante. Tenho uma lembrança deste lugar que me fascina até hoje e que me fez por muitas vezes pensar que a vida tinha mais sentido ali. Toda vez que me sentia triste, aborrecido, angustiado – e criança também tem esses sentimentos – era no meio da soja ou do trigo, sentado em uma curva de nível que me refazia. Parecia que olhar aquela imensidão de plantação me aproximava de Deus e esta presença me acalmava e saía dali saltitante, sorridente e extremamente feliz. Depois de crescido de vez em quando eu ia lá para ver se a magia ainda estava naquele local, me decepcionei porque não encontrava mais a beleza, a pureza dos meus tempos de menino. Descobri de forma assustadora que o que fazia daquela roça diferente e mágica, eram meus olhos de criança que não me cobravam nada além daquele horizonte.
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